Maravilhas do Vinagre de Maçã
Mais estudos sobre os rebanhos de gado em Vermont e a reação alcalina dos alimentos do gado
Quando estudei os efeitos das proteínas sobre o gado leiteiro, procurei um amigo, bacteriologista da Cooperativa de leite de Barre (cidade de meu nascimento no Vermont), e pedi que me indicasse os rebanhos que deveria estudar. O primeiro que sugeriu foi o de Ernest Bisson, com 54 vacas, rebanho misto – incluía diversas raças de gado. As reses não eram criadas na fazenda, e sim compradas a fazendeiros. Os bezerros eram vendidos a negociantes. Meu amigo bacteriologista disse-me que Ernest Bisson conseguia mais leite das suas vacas do que qualquer outro dos 250 fazendeiros dali. Além disso, também tinha maior número de doenças no seu gado do que qualquer outro fornecedor. Os funcionários da leiteria estavam sempre alerta para os estreptococos que apareciam no leite do seu rebanho.
Outro, que indicou, era composto de 45 vacas Jersey. A jovem que cuidava dele, formara-se pela Universidade Rural de um dos estados do Meio-Oeste, e era considerada no Vermont como excepcional criadora de gado. As suas reses levantaram prêmios seguidos nas feiras e exposições de gado Jersey. O objetivo desse rebanho era a apuração da raça e venda de bezerros como fonte de renda.
Além dos rebanhos acima citados, meu cunhado tinha ao sul do Vermont, um excepcional rebanho de 50 Holsteins premiados, que eu costumava visitar de tempos em tempos.
Ernest Bisson ficou satisfeito em discutir comigo o assunto dos rebanhos e do “problema das proteínas”. Seus dois irmãos eram médicos de renome. Ele lhes pedira auxílio no sentido de resolver problemas do rebanho, mas eles não lhe haviam podido dar ajuda. Apelara para o Departamento de Agricultura da Universidade do Vermont num caso de mastite no úbere de uma das vacas; mas, o rebanho da Universidade tinha também diversos casos e eles não sabiam curar mastite. Disseram-lhe que era devido a uma infecção que não sabiam eliminar.
Pedi-lhe que enumerasse os problemas do seu rebanho, a fim de que eu os pudesse estudar. Fez a seguinte relação deles:
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Mastite, aguda e crônica. Por ocasião da minha visita havia sete vacas destinadas ao matadouro por mastite crônica, com a presença de estreptococos no leite retirado de uma ou mais tetas.
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Incapacidade de procriação em 20 vacas, do total de 54 que compunham o rebanho. Algumas não conseguiam ficar prenhes há um ano. Essa falha descontrolou o programa de Bisson, pois não podia mais planejar o período de lactação de seu rebanho.
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Brucelose. Significava perda de bezerros destinados às substituições no rebanho. Os que nasciam, eram fracos e geralmente morriam em duas semanas. Isso lhe impossibilitava criar bezerros para as substituições do rebanho e os abortos estragavam o período de lactação das vacas.
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Subpotência nos touros, o que tornava necessárias diversas cruzas antes que se efetivasse a prenhez.
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Perda de apetite das vacas.
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Partos demorados.
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Por não poder criar bezerros para substituições, era obrigado a comprá-los – reses de qualidade duvidosas, pois os fazendeiros não vendem seu melhor gado.
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Casos de artritismo em algumas vacas, ocasionando-lhes dificuldades ao levantar ou deitar.
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Suscetibilidade crescente ao resfriado.
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Influenza entre as vacas, durante os meses de inverno.
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Paralisia das pernas, em algumas vacas, também chamada comumente de “febre do leite”, depois do parto.
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Prisão de ventre nas vacas.
Problemas bem desafiadores.
A seguir, pedi a Miss Stone, a encarregada das 45 vacas da raça Jersey, que fizesse uma lista dos seus problemas com o rebanho, para que eu pudesse ter um ponto de partida para meu estudo. Ela enumerou:
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Abortos no rebanho.
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Falta de uniformidade no tamanho dos bezerros nascidos.
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Bezerros fracos ao nascer.
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Bezerros que não apresentavam as características da vaca ou do touro que os procriaram, o que significa muito quando um bezerro é oferecido à venda para substituir reses num rebanho.
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Baixa fertilidade, sendo necessárias diversas cruza.
Comprei um aparelho para extrair sumo de folhas, flores e grama. Fiz também uma reserva de papel de Nitrazina, devido à sua ampla margem de reação, que vai de pH 4,5 para os ácidos e pH 7,5 para os álcalis. Comecei a seguir esses dois rebanhos no pasto, durante os meses mais quentes do ano munido da máquina de extrair sumo, do frasco de papel de nitrazina, de um caderno de notas, de um balde de água e uma caneca, a fim de lavar a máquina após cada extração. Seguindo-os por horas a fio, aprendi muitas coisas sobre nutrição.
A fazenda de Ernest Bisson estava situada na encosta de uma colina com poucas árvores ou arbustos nos pastos. A fazenda onde eram criadas as 45 vacas Jersey estava situada num vale cortado por um riacho. Todos os pastos continham árvores e arbustos.
Achei que o contraste entre as duas fazendas era favorável como objeto de estudo.
Segui, em primeiro lugar, o rebanho da fazenda da encosta. Quando extraí o sumo dos elementos que compunham a alimentação desse gado, verifiquei que a reação era sempre ácida. Quando extraí o sumo dos alimentos que ignoravam ao passar, recusando-se a comê-los, descobri que a reação destes era sempre alcalina. Nos lugares onde havia caído excrementos de vaca, no pasto, o capim era mais alto e de um verde mais escuro. Isso o tornava mais atraente quanto ao tamanho e à coloração. Mas as vacas não o comiam; evitavam esses lugares. Quando testei o sumo desse capim que crescia nos lugares adubados, verifiquei que a reação era sempre alcalina. A recusa instintiva das vacas em comer capim de reação alcalina indicou que esses animais são, por natureza, bons químicos e que procuravam estabelecer o equilíbrio químico de seu organismo. Era evidente que eram também químicos do solo e eu não perderia tempo em aprender o que me podiam ensinar.
A seguir, fui para a fazenda onde iria observar as vacas Jersey. Fiquei impressionado ante sua predileção pelas folhas produzidas pelos diversos arbustos dos pastos. Recolhi amostras dessas folhas e, ao extrair-lhes o sumo, verifiquei que a atração era ácida. Observei também que, em geral, as vacas davam preferências às folhas mais novas.
Comentei essa predileção pelas folhas com miss Stone encarregada do rebanho. Ela confirmou a minha observação e disse que nunca havia recebido qualquer reclamação relativa à mastite, da leiteira para a qual fornecia leite.
Miss Stone ficou muito interessada pelos meus estudos sobre o rebanho, e disse-me que iria fazer algumas experiências que poderiam dar bons resultados. Um dia me telefonou dizendo que ia soltar o gado no pasto onde a couve lombarda estava em flor; e se eu quisesse, ela esperaria que eu estivesse presente.
Quando o rebanho de 45 vacas entrou nesse pasto, a primeira coisa que notei foi que comeram todas as flores da couve antes de se interessar por qualquer outra vegetação do campo. Testei o sumo das flores da couve lombarda e verifiquei ter reação ácida.
Num outro dia, miss Stone me telefonou dizendo que ia soltar o gado num campo de trevos de segunda florada, que não haviam sido colhidos por falta de tempo.
À volta da cerca desse pasto havia uma sebe natural de cerejeiras amargas que haviam gerado espontaneamente e estavam em pleno vigor. Ao serem soltas nesse pasto, as vacas não tocaram nos trevos, mas se dirigiram diretamente às cerejeiras amargas, comendo as folhas, chegando mesmo a ficar apoiadas nas patas traseiras, para atingir as folhas mais altas. As vacas haviam evitado o trevo de reação alcalina, em favor das folhas de cerejeira amarga, de reação ácida.
Em outra ocasião esse rebanho foi solto num campo onde havia sido feita plantação e subseqüente colheita de batatas. Haviam sobrado algumas batatas e estas foram desenterradas pelas vacas, com os cascos; era outro caso de reação ácida – as batatas.
Perguntei a Miss Stone se estava disposta a fertilizar parte de um pasto com esterco e, logo que a vegetação começasse a crescer, soltar nele o rebanho a fim de verificar se, orientado pelo instinto, iria evitar a parte adubada ou se aceitaria a vegetação que ali crescesse.
Mais tarde, dezesseis bezerros de 6 meses a um ano de idade, foram soltos num pasto cuja quarta parte havia sido adubada com esterco de vaca, durante o outono precedente. O esterco ficara no estábulo durante um ano. A grama, nessa parte do pasto, era muito mais verde e mais alta do que no resto do campo. A linha divisória entre a parte adubada e não adubada era claramente visível.
Das dezesseis cabeças, apenas duas se dirigiram à porção adubada. Tinham ambas seis meses de idade. Enquanto os observava, vi que abandonavam aquela área e iam pastar na parte que não tinha o adubo.
Observei nessa mesma fazenda, outro exemplo do instinto de química das vacas. Uma delas tinha 20 anos de idade; por sentimentalismo era mantida. Chamava-se Bobby e vivia à solta na fazenda. Passei muito tempo seguindo-a para conhecer seus hábitos alimentares. Tinha predileção pelas folhas de olmo. Conheço pouca acerca da composição das folhas de olmo, exceto que tem reação ácida. Tenho observado aqui no Vermont que quando um fazendeiro que segue o seu rebanho, de manhã, descobre que está com fome come uma ou duas folhas de olmo; faz passar a sensação de fome.
Costumavam amarrar Bobby no estábulo com uma corda frouxa, para que pudesse levantar e deitar facilmente. Um dia ela fugiu. Foi à carroça das rações e tentou chegar ao balde de vinagre de maçã que lá estava. Ao ouvir o ruído do balde, Miss Stone saiu para ver o que era. Querendo verificar o que a velha Bobby faria, Miss Stone pôs o balde ao alcance dela. Bobby lambeu cerca de meio litro de vinagre de maçã e depois, evidentemente satisfeita, afastou-se. Isso indica que o organismo do animal que envelhece também precisa de ácido e o animal sabe disso.
Todas as semanas faz-se o exame do leite enviado pelos fornecedores às usinas. Aos produtores do leite de tipo comum é permitido uma porcentagem de 400.000 bactérias por centímetro cúbico de leite não pasteurizado e 20.000 bactérias por centímetro cúbico de leite pasteurizado.
Contudo, os dois rebanhos que estudei produziam nessa época, leite Tipo A, que requer melhor padrão. O leite de um dos rebanhos era enviado para Massachusetts o do outro para Rhode Island. Os fornecedores do Tipo A para as leiteiras tem uma margem de tolerância de 50.000 bactérias para o leite não pasteurizado e de 5.000 bactérias para o leite pasteurizado, em cada centímetro cúbico de leite. Quando um fornecedor excede essa taxa devido à falta de higiene no aparelhamento ou a distúrbios no rebanho, é-lhe concedido um prazo de duas semanas para voltar ao normal.
As receber cópias de duas cartas laudatórias aos donos dos rebanhos, devido ao baixo teor de bactérias comprovado no leite de seus rebanhos, continuei minhas experiências e verifiquei que, quando se omitia o vinagre de maçã a quantidade de bactérias aumentava; quando o gado recebia sua dose diária de vinagre, a quantidade de bactérias diminuía.
Ao fim de cinco anos de estudos e observação contínua desse rebanho de 45 vacas leiteiras, no estábulo durante o inverno, e no pasto durante o verão, meu amigo fazendeiro e eu revimos a lista primitiva dos distúrbios do rebanho, a fim de verificar os progressos obtidos com meus estudos, interpretar e pôr em prática o que elas nos haviam ensinado. As medidas adotadas havia resultado no seguinte:
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Nenhuma vaca fora sacrificada nos dois últimos anos por mastite. Não havia mais casos de mastite crônica no rebanho.
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Durante esses cincos anos o rebanho havia aumentado para 70 vacas, devido ao controle bem sucedido da mastite. Dessas, apenas oito não haviam ficado prenhes no ano anterior. Do grupo de 20 que não conseguiam procriar quando iniciei meus estudos sobre o rebanho, todas as 20 esperavam crias.
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Quanto à brucelose, o problema ainda existia, mas algum progresso havia: menor número de abortos – apenas três vacas haviam abortado no ano anterior. Além disso, os abortos ocorriam agora no último mês de gravidez. E as vacas que abortavam não perdiam o período de lactação – começavam-no normalmente, como se houvessem chegado a termo.
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Não houvera mais a dificuldade em se manter a fertilidade dos touros.
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Não havia mais inapetência nas vacas.
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As vacas passaram a ter parto rápido e normal. Se ficasse retida a placenta, era geralmente expedida dentro de quadro dias. A placenta retida não tinha mau cheiro ou corrimento como antes.
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Não nasciam mais bezerros fracos ou nervosos.
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Apenas uma vaca do rebanho fora atacada de artritismo, e foi logo curada.
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Desapareceram os resfriados.
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Nenhum caso de influenza ou pneumonia ocorreu.
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Não ocorreu mais febre do leite e nem paralisia, quando a vaca dava à luz.
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Não houve nenhum caso de constipação. Se aparecia algum caso de disenteria, era logo eliminado.
Fiz também com Miss Stone a revisão dos antigos distúrbios do seu rebanho. Resultaram no seguinte:
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Os abortos cessaram.
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Os bezerros não mais nasciam de tamanho inferior ao normal.
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Ao nascerem eram fortes e resistentes com pernas bem formadas e boa pelagem. Punham-se de pé em cinco minutos após e mamavam antes de meia hora.
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Os bezerros que nasciam tinham características bem definidas. Eram inteligentes: não era mais necessário ensiná-los a beber do balde.
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O problema da procriação desaparecera.
Atualmente, os criadores de gado já reconhecem que o excesso de proteínas pode ser uma fonte de moléstias do úbere. Um fazendeiro pode acrescentar à ração uma porcentagem de proteínas com a qual o rebanho parece se dar bem. De repente depara com feno cortado há tempo, rico em proteínas. A proteína da ração unida à do feno resulta em excesso, e em conseqüência surgem casos de moléstias do úbere em algumas vacas.
Há uma relação de grande valor entre a dieta diária das vacas e dos seres humanos. Uma vaca que recebe vinagre de maçã duas vezes ao dia come menos feno e cereais. Uma pessoa que toma uma ou duas colheres de chá de vinagre de maçã, em um copo de água, durante a refeição ficará satisfeita com menos alimento. Isso vai ao encontro dos planos originais da Natureza, nos quais inclui um lugar para a ingestão de um ácido natural, e o vinagre de maçã torna-se um alimento imprescindível.
Dediquei-me depois, a um livro, “O Jersey”, publicado pelo Clube Americano de Gado Jersey, o qual relata a história da vaca Jersey e do seu aparecimento na Ilha desse nome. Estava particularmente interessado no solo dessa ilha, nos adubos lá empregados.
Tudo indica que o solo de Jersey tem uma tendência ácida. Lá não se encontra pedra de cal nem giz. O adubo é feito de algas marinhas que as tempestades trazem para as praias. Os fazendeiros recolhem-nas quando a maré baixa. Além do húmus potássico, a alga marinha enriquece o solo de sódio e iodo, assim como dos restantes 46 minerais nela contidos.
Após ler esse livro, soube de um gado Jersey, cujas vacas haviam todas sido importadas da Ilha de Jersey. Visitei esse rebanho e fiquei impressionado com o comprimento do corpo dos animais. Jamais vira vacas Jersey de corpo tão longo. O touro que na época da importação era o campeão da ilha tinha também um corpo inusitadamente comprido. Pareceu-me ser efeito do potássio contido na alga usada para adubar a terra. E confirmou que as ancestrais das Jersey do Vermont encontram o que as ancestrais das Jersey do Vermont encontram o que estas procuram, isto é, solo ácido, potássio, iodo e outros minerais necessários.
Perguntei ao Prof. George W. Cavanaugh, onde se encontrava o rebanho campeão dos Estados Unidos. Respondeu-me que, constituído de 50 vacas ou mais, estava localizado no Overbrook Hospital, em New Jersey.
Durante minha visita a esse rebanho foram discutidas a produção, alimentação e saúde do gado, e soube que empregavam um suplemento alimentar feito de alfas e peixes. Dava-lhe o nome de Manamar e soube que essa era uma forma de manter maior teor de proteína na ração sem risco de doenças nas vacas. Isso me causou uma dúvida. Seria a proteína a responsável pelos maiores problemas na criação do gado leiteiro? O ácido e o potássio neutralizariam os efeitos nocivos da proteína, tornando possível um máximo de produção de leite sem prejudicar a saúde das vacas? Essa visita resultou, naturalmente, num estudo das vacas leiteiras alimentadas de proteínas.
Os criadores atuais têm ouvido falar tanto em proteína que se podem considerar obcecados pelo assunto. Ao comprarem um saco de ração, a primeira pergunta é: - Qual a porcentagem de proteínas? Em geral, é essa a única pergunta que se faz. Uma ração pode ter 16, 18, 20 ou 24% de proteína ou qualquer outra porcentagem. O preço e os resultados esperados estarão na proporção do teor de proteína declarado na embalagem.
Citarei um exemplo das vantagens de se combinar o ácido com a proteína, na alimentação. O proprietário de um rebanho misto de 54 vacas leiteiras comentava comigo o seu animal favorito, uma Jersey de 400 kg de peso. Dois anos antes, o bacteriologista da leiteira e o veterinário local haviam-no aconselhado a se desfazer da vaca. Mas ele tinha pelo animal uma especial predileção e foi protelando. Ela sofria de mastite crônica. Toda vez que seu leite era inspecionado pelo bacteriologista se constatava a presença de estreptococo no produto de cada uma das tetas. Chegou-se, finalmente, à conclusão de que deveria ser eliminada.
Esperava um bezerro para o princípio de novembro. Supunha-se que a mastite iria piorar após o parto; a sua produção de leite deveria aumentar, mas seria impróprio ara o consumo.
Sugeri que parte do transtorno poderia ser ocasionado pelo fato de estar ele violando uma antiqüíssima lei de nutrição, relativa às sementes de plantas. Apesar de ser necessário tomar-se ácido quando a alimentação é feita à base de sementes, essa vaca não comia suficientes folhas ácidas. Normalmente, a vaca deveria ter a possibilidade de comer folhas tenras diretamente da planta.
Decidiu-se imediatamente despejar uma colher de chá de vinagre de maçã na ração, para cada 50 kg de peso do animal. Como pesava 400 kg, a dose era de 8 colheres de chá de vinagre, por ração. Recebendo duas ao dia, o total era de 18 colheres diárias.
No dia seguinte à administração da primeira dose, telefonei ao fazendeiro. Soube que a vaca havia cheirado a ração por diversas vezes e depois a comera àvidamente e continuara a lamber o coxo durante meia hora. Isso provou que o vinagre de maçã representava algo que ela desejava instintivamente, portanto, devia-se continuar.
Começamos a dar-lhe vinagre duas semanas antes do nascimento do bezerro, a 5 de novembro. O úbere da vaca desinflamou e a mastite desapareceu. Após o parto, todas as tetas estavam sem qualquer vestígio de mastite. Já se lhe haviam administrado quantidade de sulfanilamida, nos últimos dois anos, na esperança de debelar a mastite. A princípio a doença cedia, para logo depois ressurgir. Depois que começou a tomar o vinagre de maçã, foi possível alterar-se a alimentação e passou a receber uma ração composta de 16% de proteínas em quantidade igual à outra composta de 14%. Com 5 kg de ração, a pequena Jersey de 400 kg passou a dar um balde de 15 litros de leite (com nata de uma polegada de espessura) em cada uma das duas ordenhas diárias – o dobro do que produzira antes.
A 4 de fevereiro do ano seguinte, estava com o úbere perfeito, alimentava-se bem e produzia 19 litros de leite por dia, e recebia a 3 kg de ração adequada, à base de 14% de proteínas.
Em 1 de março continuava normal, sem sinal de mastite. Era difícil saber qual dois estava mais interessado no prosseguimento da dieta à base de vinagre de maçã: se ela ou o dono.
Algumas conclusões sobre o uso do vinagre de maçã nesse caso:
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Após o desaparecimento da mastite, as tetas voltaram a ser normalmente esponjosas. Pode-se verificar pela palpação do úbere e pela volta ao normal da quantidade de leite produzida.
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Curada a mastite pelo vinagre de maçã, tetas afetadas, menores a princípio, em dois meses retomam as devidas proporções.
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A pequena vaca Jersey tratada de mastite crônica com o vinagre de maçã há dois anos atrás tem agora um úbere perfeito. Tornou-se uma das melhores produtoras de leite do rebanho.
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Num caso comum de mastite, a teta inflamada volta ao normal em uma semana com tratamento por vinagre de maçã. Nos casos rebeldes, serão necessários dois meses.
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A média de recuperação de vacas atingidas pela mastite crônica é de 75%.
Devido à experiência com a pequena Jersey, decidiu-se dar a cada vaca do rebanho, 56 gramas de vinagre derramadas sobre a ração logo que esta fosse posta no coxo, para se observar qual a reação. Se o potássio era o responsável pelos benefícios prestados à primeira vaca, então se podia adicioná-lo ao solo da fazenda, na expectativa de colherem-se resultados semelhantes.
A primeira observação feita após a adoção do método foi o aumento de produção do leite do rebanho. Vários acompanhamentos foram feitos à época para se observar e comparar depois com os resultados obtidos.
Podemos constatar que durante todo o mês de março de 1944 esse fazendeiro não conseguiu obter sua cota de vinagre de maçã. Isso explicou a queda de produção de leite demonstrada pelas anotações feitas. Conseguiu-se depois obter cinco barris de vinagre. A produção de leite subiu, mas de acordo com a demonstração, foram necessárias duas semanas para superar a produção do ano anterior. Durante o mês de julho e as duas primeiras semanas de agosto de 1944, o vinagre de maçã não foi dado por que o rebanho estava no pasto; foi julgado desnecessário. Mas a nova queda na produção do leite tornou evidente que uma vez que o vinagre de maçã aparentemente continha elementos não existentes na ração e na vegetação do pasto, era tão necessário durante o verão quanto durante o inverno, para se manter a produção do leite.
Vejamos a influencia de 50 gramas de vinagre de maçã derramadas em cada ração, no tocante ao teor de gordura do leite.
Esse rebanho que estudei fazia parte da Associação de Melhoria dos Rebanhos Leiteiros e era examinado há tempos regulares por um perito da associação. Esse perito me disse que dos 23 rebanhos que costumava examinar esse era o que produzia mais gordura no leite. A 1 de novembro se iniciou a ministração de vinagre de maçã. No mês seguinte a porcentagem de nata foi de 5,1%. Em maio, esse rebanho de 45 Jerseys registradas possuía 27 vacas de qualidade. Uma vaca de qualidade é aquela que produz 43, 592 litros de leite por mês com 18,1436 kg de gordura. Vinte e sete era o maior índice de vacas de qualidade que o rebanho jamais tivera; anteriormente, a maior quantidade fora de 19. No mês de setembro seguinte, a gordura atingiu 5,61%; o maior teor atingido pelo rebanho.
O perito me disse também que as vacas dos outros rebanhos comiam de 9 a 11 kg de feno por cabeça, diariamente, enquanto que as desse rebanho Jersey registrado comiam apenas 6 kg por dia, quando o vinagre de maçã era adicionando à ração. Esse consumo inferior de feno representava uma economia de 225 dólares por mês, só em feno. Um barril de vinagre mensal custava 18 dólares. Os dados referentes às despesas da compra de feno e de vinagre de maçã provam a influência do vinagre de maçã sobre a quantidade de ração adquirida para as vacas de um rebanho misto.
Sem a adição de vinagre de maçã e nos baseando nas quantidades compradas nos primeiros três meses de 1942 e 1943, a conta desse trimestre m 1944 deveria ser de US$ 1,755. Adicionando-se o vinagre de maçã, houve uma economia de US$ 655 na compra de rações. A conta de vinagre de maçã, nesse período foi de US$ 90.
Meu amigo fazendeiro chegou à seguinte conclusão com o emprego do vinagre de maçã no seu rebanho de novilhos. Se tivesse de escolher entre 1 quilo de ração sem vinagre e 250 gramas de ração com duas onças (56 gramas) de vinagre de maçã adicionado a mesma duas vezes ao dia, escolheria esta última, que proporcionaria aos seus novilhos maior crescimento em um prazo certo. Estou convencido de que o potássio contido no vinagre de maçã é responsável por grande parte do feliz resultado visto que, como foi dito diversas vezes neste livro, o potássio está associado ao crescimento da planta, animais e do ser humano.
Parecia-me aconselhável verificar se era o vinagre de maçã que, especificamente, possibilita um equilíbrio na ingestão de proteínas ou se algo associado ao ácido era responsável pelos resultados obtidos.
Notou-se que, quando um rebanho era solto pela primeira vez num pasto onde uma faixa de terra havia sido adubada com fosfato ácido, as vacas comiam apenas o capim dessa faixa, desprezando o que nascia dos lados. Observou-se também que algumas vacas comiam fosfato ácido puro, quando o encontravam. Isto me levou a imaginar se o ácido fosfórico derramado sobre a ração de algumas vacas produziria os mesmos resultados do vinagre de maçã adicionado à ração das demais.
Escolhemos cinco vacas para essa experiência. Suspendemos-lhes a dose de vinagre de maçã e passamos a dar-lhes uma colher de chá de ácido fosfórico derramado sobre a ração duas vezes ao dia.
Durante quase duas semanas, nada aconteceu. Então uma ou mais tetas do úbere de cada uma das vacas começaram a inchar. Paramos imediatamente com o ácido fosfórico substituindo-o pelo vinagre de maçã e as tetas inflamadas voltaram ao normal.
Trechos extraídos do livro: FOLK MEDICINE: A Vermont Doctor’s Guide to Good Health, do médico norte-americano
DR. DC JARVIS |